O CBG (canabigerol) é um canabinoide não intoxicante presente no cânhamo e noutras plantas de canábis. É a forma neutra do ácido canabigerólico (CBGA), que a planta transforma nas formas ácidas do THC, do CBD e do CBC. É por isso que o CBG é muitas vezes chamado o «canabinoide-mãe». As plantas maduras contêm normalmente menos de 1% de CBG, e a investigação em seres humanos ainda é limitada.
Factos principais
- O que é
- Um fitocanabinoide com a fórmula C₂₁H₃₂O₂, a forma neutra do CBGA.
- Quantidade na planta
- Normalmente menos de 1% do peso seco. As variedades selecionadas para CBG contêm muito mais.
- Intoxicante?
- Não. Um ensaio de 2024 com 20 mg de CBG não encontrou efeitos subjetivos de droga nem diminuição de capacidades.
- Investigação em seres humanos (em outubro de 2026)
- Alguns estudos pequenos, incluindo um ensaio de dose única e um estudo na pele. A maior parte da investigação é em células e animais.
- Estatuto legal (em outubro de 2026)
- Não consta das convenções da ONU sobre drogas. Consta como ingrediente cosmético na UE; é um novo alimento não autorizado.
- Nos óleos da Formula Swiss (certificados de abril de 2026)
- Medido em seis óleos, entre 0,53% e 7,28% de CBG.
O que é o CBG e de onde vem?
O cânhamo produz os seus canabinoides na forma ácida, e o ácido canabigerólico (CBGA) vem primeiro. Depois, enzimas da planta convertem o CBGA em ácido tetra-hidrocanabinólico (THCA), ácido canabidiólico (CBDA) e ácido canabicroménico (CBCA); a enzima que produz o CBDA é o que faz do cânhamo para fibra uma planta do tipo CBD (Taura et al., 2007). Em rigor, o «canabinoide-mãe» é o CBGA. O CBG é aquilo em que o CBGA se transforma quando o calor lhe retira o grupo ácido, e o CBGA converte-se mais lentamente do que o THCA (Wang et al., 2016).
Como a maior parte do CBGA é convertida à medida que a planta amadurece, o CBG fica normalmente abaixo de 1% do peso seco (Perez et al., 2022). As plantas com o genótipo B0 convertem muito menos CBGA, pelo que o CBG passa a ser o seu canabinoide principal (Zagožen et al., 2021). É também a resposta a «o que é o CBG na erva?»: na canábis selecionada para THC, o CBG é normalmente um canabinoide minoritário. Um parente próximo com uma cadeia lateral mais curta, o CBGV, forma-se da mesma maneira. O CBG foi descrito pela primeira vez por Gaoni e Mechoulam em 1964.
Qual é a estrutura química do CBG?
O CBG tem um anel aromático (um resorcinol) e uma cadeia geranilo aberta. No CBD essa cadeia fechou-se num segundo anel, e no THC fecha-se ainda um terceiro. A fórmula do CBG, C₂₁H₃₂O₂, tem mais dois átomos de hidrogénio do que a do CBD e do THC (C₂₁H₃₀O₂) (PubChem).
O que faz o CBG no organismo?
O que se sabe vem sobretudo de estudos em células e em animais, que não mostram o que acontece nas pessoas.
- Recetores canabinoides: o CBG liga-se aos recetores CB1 e CB2 (Navarro et al., 2018).
- Outros recetores: em tecido cerebral de ratinho, o CBG atuou como potente agonista dos adrenorrecetores α2 e como bloqueador moderado dos recetores 5-HT1A (Cascio et al., 2010).
- Canais TRP: o CBG estimulou o canal TRPV1, e um extrato rico em CBG esteve entre os bloqueadores mais potentes do TRPM8 (De Petrocellis et al., 2011).
Uma revisão descreve o seu perfil de recetores como situado «entre o Δ9-THC e o CBD» e único nos adrenorrecetores α2 e no 5-HT1A (Nachnani et al., 2021). Sobre os próprios recetores, veja o sistema endocanabinoide.
Para que foi estudado o CBG?
As pesquisas por «benefícios do CBG» levam normalmente a listas longas. A tabela mostra o que foi realmente estudado e em que tipo de estudo. Nada disto mostra que um produto com CBG previna ou trate uma doença.
| Área | Tipo de estudo | O que foi relatado |
|---|---|---|
| Stress e humor | Em seres humanos: 34 adultos saudáveis, uma dose de 20 mg por via oral | Avaliações de ansiedade e stress mais baixas do que com placebo; sem diminuição de capacidades (Cuttler et al., 2024) |
| Pele irritada | Em seres humanos: 20 pessoas, sérum com 0,1% de CBG durante duas semanas | Menos perda de água da pele e menos vermelhidão do que com placebo (Perez et al., 2022) |
| Produção de sebo | Laboratório: sebócitos humanos | O CBG aumentou a produção de lípidos (Oláh et al., 2016) |
| Inflamação intestinal | Animal: modelo de colite em ratinhos | Redução de marcadores de inflamação (Borrelli et al., 2013) |
| Dor neuropática | Animal: ratinhos com neuropatia induzida por quimioterapia | Reverteu a sensibilidade ao toque (Wade et al., 2025) |
| Neurodegeneração | Animal: modelos de doença de Huntington em ratinhos | Protegeu células nervosas num dos modelos (Valdeolivas et al., 2015) |
| Bactérias | Laboratório: estirpes de MRSA | Atividade antibacteriana, tal como outros canabinoides principais (Appendino et al., 2008) |
Os estudos em seres humanos são pequenos, e o ensaio sobre o stress usou uma única dose oral. Os nossos óleos são cosméticos para uso na pele, por isso os resultados de estudos por via oral não se aplicam a eles. Uma revisão de 2024 descreve a maior parte deste trabalho como pré-clínico, com os ensaios clínicos ainda por fazer (Li et al., 2024).
O CBG é mais forte do que o CBD?
A «força» não foi medida em pessoas. Em estudos laboratoriais, o CBG atua em alguns recetores em que o CBD não atua, como os adrenorrecetores α2, mas o CBD foi testado em muitos mais ensaios em seres humanos. A nossa comparação CBG vs CBD coloca os dois lado a lado, com o teor de CBG e CBD medido nos nossos óleos.
O CBG tem efeito psicoativo?
Não. O CBG não é intoxicante. Num ensaio controlado com placebo, uma dose única de 20 mg não produziu «evidência de efeitos subjetivos de droga nem de diminuição de capacidades» (Cuttler et al., 2024). O canabinoide que provoca efeito psicoativo é o THC; veja que canabinoides são psicoativos.
O CBG é seguro e faz mal ao fígado?
Os dados de segurança em pessoas limitam-se aos pequenos estudos acima. As enzimas hepáticas humanas do citocromo P450 degradam o CBG rapidamente, e as interações com medicamentos ainda não foram estudadas em pessoas (Li et al., 2024). Não existem dados em seres humanos sobre o CBG e o fígado. Num modelo de doença do fígado gordo em ratinhos, uma dose baixa reduziu os marcadores de lesão hepática, enquanto uma dose alta os aumentou (Li et al., 2024). Se está grávida, tem uma doença hepática ou toma medicação, consulte o seu médico antes de usar produtos com canabinoides. Sobre o CBD, veja efeitos secundários do CBD.
O CBG pode dar positivo num teste de drogas?
Os testes de drogas habituais procuram THC ou o seu produto de degradação, e não CBG. Um resultado positivo vem do THC presente num produto, por isso verifique o certificado de análise. O nosso guia sobre testes de drogas explica os pormenores.
O que é o óleo de CBG e como se faz?
O óleo de CBG é um óleo de cânhamo cujo extrato contém uma quantidade relevante de CBG, sozinho ou ao lado do CBD. Obtém-se extraindo os canabinoides do cânhamo, refinando o extrato e diluindo-o num óleo de base. Como a maior parte do cânhamo tem pouco CBG, os produtores usam variedades ricas em CBG ou acrescentam CBG purificado. Na Formula Swiss usamos apenas extração por CO₂. A nossa página como é feito o óleo de CBG? explica cada passo.
O CBG é legal em Portugal?
O CBG não consta das convenções da ONU sobre drogas. Na base de dados da UE de ingredientes cosméticos (CosIng), o canabigerol consta com a função «condicionador da pele»; a CosIng é uma lista de referência, não uma lei. Como ingrediente alimentar, o CBG é considerado um novo alimento que precisa de autorização antes de poder ser vendido. As regras nacionais sobre produtos de cânhamo diferem, incluindo os limites de THC. Veja o CBD como novo alimento na UE.
Em Portugal, em outubro de 2026, o canabigerol não consta das tabelas do Decreto-Lei n.º 15/93, a lei da droga. A DGAV indica que os extratos de Cannabis sativa L. que contêm canabinoides não podem ser vendidos como alimento ou suplemento alimentar. Os nossos óleos com CBG são cosméticos para aplicar na pele; veja também o CBD é legal em Portugal?
Que óleos da Formula Swiss contêm CBG?
Os nossos certificados de abril de 2026 mediram CBG em seis óleos: Lugano Clarity (7,28%), St. Moritz Restore (4,29%), Lucerne Calm (3,19%), Zermatt Balance (1,51%), Pet Routine for Horses (1,04%) e Pet Routine for Dogs (0,53%). Os certificados estão na nossa página de resultados das análises, e a comparação CBG vs CBD indica também os seus valores de CBD e THC. Todos os nossos óleos estão na coleção de óleos de CBD.
Da nossa produção
Testamos cada lote na Suíça e, desde 2013, nunca tivemos um teste falhado.
— Robin Roy Krigslund-Hansen, cofundador e CEO
Perguntas frequentes
O que é o CBG?
O CBG, ou canabigerol, é um canabinoide não intoxicante do cânhamo e de outras plantas de canábis. É a forma neutra do ácido canabigerólico (CBGA), que a planta converte nas formas ácidas do THC, do CBD e do CBC.
O que faz o CBG?
Em estudos laboratoriais, o CBG liga-se aos recetores CB1 e CB2, atua nos adrenorrecetores α2 e bloqueia os recetores 5-HT1A. A investigação em seres humanos limita-se a alguns estudos pequenos, por isso o que faz nas pessoas não está bem compreendido.
Para que serve o CBG?
O CBG foi estudado em relação ao stress e humor, à irritação da pele, à inflamação, à dor neuropática e às bactérias, mas sobretudo em células e animais. Os dois estudos em seres humanos foram pequenos, e nenhum mostra que um produto com CBG trate uma doença.
O que é o óleo de CBG?
É um óleo de cânhamo cujo extrato contém uma quantidade relevante de CBG, sozinho ou com CBD, diluído num óleo de base. Os nossos certificados de abril de 2026 mediram entre 0,53% e 7,28% de CBG em seis óleos.
O CBG tem efeito psicoativo?
Não. O CBG não é intoxicante, e um ensaio controlado com placebo de 2024, com uma dose única de 20 mg, não encontrou efeitos subjetivos de droga nem diminuição de capacidades.
O CBG é o mesmo que o CBD?
Não. Ambos são canabinoides não intoxicantes do cânhamo, mas o CBG forma-se mais cedo na planta, existe normalmente em menor quantidade e atua em recetores diferentes nos estudos laboratoriais. O CBD foi estudado em muito mais pessoas.
Guias relacionados
Este artigo resume investigação publicada. Não constitui aconselhamento médico. Os óleos da Formula Swiss são cosméticos para uso na pele, e os nossos óleos para animais destinam-se a uso externo. Consulte a nossa declaração de exoneração de responsabilidade completa.
Última revisão:
Fontes
- Taura F, Sirikantaramas S, Shoyama Y, et al. Cannabidiolic-acid synthase, the chemotype-determining enzyme in the fiber-type Cannabis sativa. FEBS Lett. 2007. doi:10.1016/j.febslet.2007.05.043
- Wang M, Wang YH, Avula B, et al. Decarboxylation study of acidic cannabinoids: a novel approach using ultra-high-performance supercritical fluid chromatography/photodiode array-mass spectrometry. Cannabis Cannabinoid Res. 2016;1:262-271. doi:10.1089/can.2016.0020
- Perez E, Fernandez JR, Fitzgerald C, et al. In vitro and clinical evaluation of cannabigerol (CBG) produced via yeast biosynthesis. Molecules. 2022;27(2):491. doi:10.3390/molecules27020491
- Zagožen M, Čerenak A, Kreft S. Cannabigerol and cannabichromene in Cannabis sativa L. Acta Pharm. 2021;71:355-364. doi:10.2478/acph-2021-0021
- PubChem. Cannabigerol (CID 5315659). National Library of Medicine. pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/Cannabigerol
- Navarro G, Varani K, Reyes-Resina I, et al. Cannabigerol action at cannabinoid CB1 and CB2 receptors and at CB1-CB2 heteroreceptor complexes. Front Pharmacol. 2018;9:632. doi:10.3389/fphar.2018.00632
- Cascio MG, Gauson LA, Stevenson LA, Ross RA, Pertwee RG. Evidence that the plant cannabinoid cannabigerol is a highly potent α2-adrenoceptor agonist and moderately potent 5HT1A receptor antagonist. Br J Pharmacol. 2010;159(1):129-141. doi:10.1111/j.1476-5381.2009.00515.x
- De Petrocellis L, Ligresti A, Moriello AS, et al. Effects of cannabinoids and cannabinoid-enriched Cannabis extracts on TRP channels and endocannabinoid metabolic enzymes. Br J Pharmacol. 2011;163:1479-1494. doi:10.1111/j.1476-5381.2010.01166.x
- Nachnani R, Raup-Konsavage WM, Vrana KE. The pharmacological case for cannabigerol. J Pharmacol Exp Ther. 2021;376(2):204-212. doi:10.1124/jpet.120.000340
- Cuttler C, Stueber A, Cooper ZD, Russo E. Acute effects of cannabigerol on anxiety, stress, and mood: a double-blind, placebo-controlled, crossover, field trial. Sci Rep. 2024;14:16163. doi:10.1038/s41598-024-66879-0
- Oláh A, Markovics A, Szabó-Papp J, et al. Differential effectiveness of selected non-psychotropic phytocannabinoids on human sebocyte functions. Exp Dermatol. 2016;25:701-707. doi:10.1111/exd.13042
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- Appendino G, Gibbons S, Giana A, et al. Antibacterial cannabinoids from Cannabis sativa: a structure-activity study. J Nat Prod. 2008;71:1427-1430. doi:10.1021/np8002673
- Li S, Li W, Malhi NK, et al. Cannabigerol (CBG): a comprehensive review of its molecular mechanisms and therapeutic potential. Molecules. 2024;29(22):5471. doi:10.3390/molecules29225471
- Formula Swiss. Certificados de análise 260410_A01 (analisados a 8 de abril de 2026). Página de resultados das análises.
- Comissão Europeia. Base de dados CosIng de ingredientes cosméticos: canabigerol.
- Comissão Europeia. Catálogo de Novos Alimentos da UE: canabinoides.
- Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de janeiro, e respetivas tabelas, versão consolidada (alteração mais recente: Decreto-Lei n.º 19-F/2026, de 8 de maio). PGD Lisboa.
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