O CBDV, ou canabidivarina, é um canabinoide não intoxicante que ocorre naturalmente em certos tipos de Cannabis sativa. Está estreitamente relacionado com o CBD, mas tem uma estrutura química ligeiramente diferente que lhe confere características próprias. Embora tenha sido identificado pela primeira vez na década de 1960, o interesse pelo CBDV aumentou nos últimos anos.
Pelo que tenho observado ao longo do tempo, existe um interesse crescente por canabinoides para além de compostos bem conhecidos como o CBD e o THC. O CBDV é um desses compostos menos conhecidos que começa a receber mais atenção, tanto na investigação como nas conversas sobre a diversidade dos canabinoides.
Acho interessante a forma como estes canabinoides minoritários estão, gradualmente, a mudar a maneira como compreendemos a planta de canábis. À medida que surge mais informação, quis analisar mais de perto o que torna o CBDV diferente e por que razão isso é importante.
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Pontos principais
- O CBDV (canabidivarina) é um fitocanabinoide menos conhecido, presente naturalmente no cânhamo, com características únicas dentro da família dos canabinoides.
- Ao contrário do THC, o CBDV não está associado a efeitos psicoativos, o que o torna um foco de interesse para investigadores e criadores de produtos que exploram compostos não intoxicantes.
- A estrutura molecular distinta do CBDV diferencia-o de outros canabinoides, o que motiva a investigação contínua das suas interações químicas e com os recetores.
- A exploração contínua do CBDV contribui para uma compreensão científica mais aprofundada da Cannabis sativa e do seu perfil mais amplo de canabinoides.
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Compreender o CBDV (canabidivarina) e as suas origens
A canabidivarina (CBDV) é um canabinoide de ocorrência natural presente em certas variedades de Cannabis sativa, sobretudo nas que têm níveis mais baixos de THC. Foi identificada pela primeira vez na década de 1960 e, desde então, tem despertado atenção pela sua estrutura única e pela sua natureza não intoxicante.
Embora o CBDV seja estruturalmente semelhante ao CBD, pequenas diferenças na sua composição química tornaram-no objeto de um interesse crescente na investigação sobre canabinoides. Estas diferenças fazem parte do que distingue o CBDV no grupo mais amplo de compostos de ocorrência natural presentes na planta de canábis.
Definir o CBDV no contexto da Cannabis sativa
O CBDV é um canabinoide de ocorrência natural sintetizado pela Cannabis sativa. Esta espécie vegetal contém uma mistura complexa de compostos, incluindo canabinoides, terpenoides e flavonoides. Os canabinoides formam-se através de uma via metabólica própria, na qual o difosfato de geranilo (GPP), um componente básico da via dos isoprenoides da planta, se combina com um ácido fenólico: o ácido olivetólico, no caso do CBD e do THC, ou o ácido divarinólico, no caso do CBDV.
O CBDV surge como um dos muitos fitocanabinoides produzidos em condições genéticas e ambientais específicas.
As fontes botânicas do CBDV
O CBDV obtém-se predominantemente de variedades de Cannabis sativa cultivadas seletivamente pelos seus perfis de canabinoides. As práticas agrícolas destinadas a aumentar a produção de determinados fitoquímicos desempenham um papel significativo na obtenção de CBDV.
As observações sugerem que a variação das concentrações de CBDV é influenciada tanto pelas características genéticas da planta como por fatores ambientais, como a qualidade do solo, o clima e os métodos de cultivo.
Um estudo de 2022 publicado na revista Plants (MDPI) por Kim et al. mediu o CBDV e outros canabinoides em cinco cultivares comerciais e relatou correlações entre os níveis de canabinoides e a expressão de genes biossintéticos, o que apoia a compreensão da variabilidade do CBDV.
O que é o THC (tetra-hidrocanabinol)?
Estrutura química e propriedades do CBDV
A análise da estrutura química do CBDV mostra que difere de outros canabinoides, como o CBD e o THC. A sua composição molecular distinta é importante para compreender por que razão não é intoxicante. Este aspeto é notável pela sua potencial relevância no âmbito da investigação científica em curso.
Conhecer a biossíntese dos canabinoides nas plantas de canábis permite compreender como estes compostos se formam. Este conhecimento apoia a exploração científica das interações biológicas do CBDV. O processo é complexo e explica por que motivo o CBDV tem uma cadeia lateral mais curta do que o CBD.

O caráter não psicoativo do CBDV torna-o objeto de interesse na investigação científica. Ao contrário do THC, o CBDV não produz euforia nem alterações da perceção, o que favorece a sua investigação para diferentes aplicações.
Com base na minha análise dos estudos disponíveis, esta propriedade distinta faz do CBDV uma área de interesse académico contínuo na ciência dos canabinoides.
| Composto | Propriedade psicoativa | Estrutura química |
|---|---|---|
| CBDV | Não psicoativo | Cadeia lateral propilo (três carbonos), mais curta do que no CBD e no THC |
| CBD | Não psicoativo | Cadeia lateral pentilo (cinco carbonos); de resto, semelhante ao CBDV |
| THC | Psicoativo | Cadeia lateral pentilo (cinco carbonos); atua como agonista parcial dos recetores canabinoides |
Investigação médica e potenciais utilizações do CBDV
O interesse científico pela canabidivarina (CBDV) tem crescido nos últimos anos, sobretudo no que diz respeito ao seu estudo em contextos de investigação neurológica.
Os investigadores estão a estudar a interação do CBDV com sistemas biológicos relevantes para os estudos neurológicos, centrando-se nas suas propriedades não intoxicantes e na potencial relevância da sua estrutura química no contexto da investigação neurológica.
Influência do CBDV na função neurológica
O CBDV não está associado a efeitos psicoativos, o que permite estudá-lo sem preocupações relacionadas com alterações da perceção cognitiva. A investigação tem analisado as suas interações com vias neurológicas, examinando a sua presença em estudos relacionados com a atividade nervosa.
Um artigo publicado na revista Epilepsia (2022) relatou um pequeno ensaio aberto de fase 1 em cinco raparigas com síndrome de Rett e epilepsia farmacorresistente, que avaliou a segurança e a tolerabilidade do CBDV e as alterações na frequência das crises epiléticas. Como o ensaio foi pequeno e não teve grupo de controlo, evidencia uma área de interesse científico para investigação futura e não efeitos comprovados, sendo necessário mais trabalho para compreender as suas potenciais aplicações.
Autismo e CBDV: investigar as ligações
A ligação entre o CBDV e as condições do espetro do autismo tem atraído uma atenção crescente na comunidade científica. Os investigadores estão a explorar se o CBDV afeta as vias neurológicas envolvidas na expressão comportamental.
Estudos em fase inicial, em animais e em humanos, como os analisados na revista Pharmacology & Therapeutics (2021), examinaram o CBDV na investigação relacionada com o autismo, sem conclusões definitivas quanto à sua utilização.
O CBDV na investigação sobre epilepsia
A natureza não psicoativa do CBDV levou à sua inclusão em estudos que investigam mecanismos relacionados com as crises epiléticas. A investigação pré-clínica tem examinado o CBDV em modelos de crises epiléticas para apoiar a compreensão científica da sua interação com as vias neurológicas, sem o impacto psicoativo associado ao THC.
Os estudos clínicos em humanos, como o pequeno ensaio na síndrome de Rett descrito acima, começaram a avaliar o seu potencial, embora os resultados permaneçam em fase de investigação e exijam validação adicional antes de se poderem tirar quaisquer conclusões sobre aplicações clínicas.
Que canabinoides produzem um efeito psicoativo?
Explorar os potenciais efeitos secundários e o perfil de segurança do CBDV
Percebo como é importante compreender o perfil de segurança do CBDV. A investigação sobre canabinoides está agora a centrar-se nos efeitos secundários de canabinoides como o CBDV.
Trabalhos regulamentares recentes mostram por que razão a composição é importante. Um relatório de avaliação de segurança da Food Standards Agency do Reino Unido e da Food Standards Scotland sobre um isolado de CBD proposto como novo alimento mediu o CBDV como componente minoritário em vários lotes de produção e fixou um nível máximo para este composto na especificação, mas não avaliou a segurança do CBDV isoladamente. Isto demonstra a necessidade de um controlo de qualidade rigoroso e de uma compreensão aprofundada dos seus efeitos.
Enquanto pessoa empenhada numa investigação responsável, considero importante avaliar cuidadosamente quaisquer efeitos observados do CBDV em relação às suas áreas de estudo. Avaliar as propriedades observadas a par dos possíveis riscos é essencial para manter padrões elevados de segurança e qualidade.
Adotar uma abordagem detalhada e transparente na avaliação do CBDV desempenha um papel importante para fomentar a confiança dos utilizadores e reforçar a credibilidade dos produtos disponibilizados.

A investigação sobre o CBDV é um campo ainda em evolução. O meu foco mantém-se na investigação do seu perfil de efeitos secundários e no estabelecimento de padrões de segurança sólidos. Cada fase, desde os estudos laboratoriais até às considerações sobre a formulação de produtos, tem de corresponder a expectativas elevadas em matéria de segurança e integridade científica.
Como estão a ser descobertos e classificados novos canabinoides?
Produtos com CBDV e a sua disponibilidade
Tem-se registado um interesse crescente por produtos com canabidivarina (CBDV), impulsionado pela curiosidade cada vez maior do público por opções à base de canabinoides. Estes produtos são atualmente disponibilizados em vários formatos, muitas vezes designados de espetro completo ou de espetro amplo, o que indica os diferentes perfis de canabinoides presentes.
Estas formulações podem combinar o CBDV com outros canabinoides de ocorrência natural, como o canabidiol (CBD). Os produtos de espetro completo podem também conter vestígios de delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC), enquanto os produtos de espetro amplo são descritos como praticamente isentos de THC.
As variações nos perfis de canabinoides entre diferentes produtos evidenciam a importância de práticas de fabrico consistentes e de uma rotulagem clara e rigorosa que reforce a confiança dos utilizadores.

Entre os formatos disponíveis, as tinturas com CBDV são uma opção e são muitas vezes descritas como versáteis e fáceis de usar. A complexidade da planta de canábis apresenta simultaneamente desafios e oportunidades no desenvolvimento de produtos.
À medida que a compreensão científica do CBDV avança, prevejo que o mercado continue a aperfeiçoar as normas relativas à qualidade dos produtos e à composição de canabinoides.
Perspetiva pessoal
Quando comecei a trabalhar com canabinoides, raramente ouvia alguém mencionar o CBDV. Embora os investigadores o tivessem identificado anos antes, parecia passar despercebido, em segundo plano. À medida que a curiosidade em torno de toda a complexidade da planta de canábis começou a crescer, passei a prestar mais atenção a este composto em particular e ao que o distingue.
O que continua a atrair-me no CBDV é a sua estrutura distinta e a forma como interage com o organismo: em vez de se ligar fortemente aos recetores canabinoides clássicos, atua sobre outros alvos, como determinados canais iónicos. Não produz efeitos intoxicantes, mas a sua presença levanta questões interessantes que os investigadores ainda estão a estudar, sobretudo em áreas relacionadas com a função cerebral e o comportamento.
No desenvolvimento de produtos à base de canábis, tenho notado uma mudança gradual e significativa. Tem havido um reconhecimento crescente de que um perfil de canabinoides mais amplo pode acrescentar um contexto valioso. Cada vez mais profissionais começam a tratar compostos como o CBDV não como elementos secundários, mas como contributos importantes para o panorama geral.
Considero esta mudança valiosa. Dar a devida atenção a canabinoides menos conhecidos, como o CBDV, traz uma perspetiva nova. Favorece práticas mais conscientes e uma apreciação mais completa da planta de canábis.
Perguntas frequentes
O que é o CBDV (canabidivarina)?
O CBDV, ou canabidivarina, é um canabinoide não intoxicante presente naturalmente em certas variedades de canábis e de cânhamo. Pertence à mesma família molecular do CBD (canabidiol) e é um homólogo deste com uma cadeia lateral mais curta.
Em que difere o CBDV do CBD e do THC?
O CBDV difere quimicamente do CBD e do THC por ter uma cadeia lateral propilo (três carbonos) em vez de uma cadeia pentilo (cinco carbonos). Esta variação estrutural influencia a sua interação com os recetores e as suas propriedades não intoxicantes.
De onde vem o CBDV?
O CBDV encontra-se sobretudo em variedades de canábis com maior concentração de CBD, em particular em variedades autóctones (landraces) originárias da Ásia e de África. É sintetizado naturalmente pela planta de canábis durante o seu ciclo de crescimento.
O CBDV pode deixar uma pessoa “pedrada”?
O CBDV não produz efeitos psicoativos e é considerado não intoxicante. Ao contrário do THC, não ativa o recetor CB1 no cérebro de uma forma que altere a perceção.
Como se compara o CBDV com o CBD e o THC?
O CBDV partilha um esqueleto molecular semelhante ao do CBD, mas difere na sua estrutura química. Ao contrário do que acontece com o THC, a investigação atual não associa o CBDV a efeitos cognitivos ou eufóricos.
Como é biossintetizado o CBDV na canábis?
O CBDV é biossintetizado através da mesma via dos canabinoides que o CBD, mas começa com ácido divarinólico em vez de ácido olivetólico. Esta via conduz à formação de ácido canabidivarínico (CBDVA), que se descarboxila em CBDV.
Que variedades de canábis contêm níveis mais elevados de CBDV?
Foram relatados níveis mais elevados de CBDV sobretudo em variedades autóctones com níveis relativamente altos de CBD e baixos de THC, e os canabinoides propílicos são especialmente comuns em variedades autóctones do Sul da Ásia e de África. Os dados laboratoriais publicados que confirmem níveis elevados de CBDV em cultivares específicas identificadas pelo nome, como “Erdpurt” ou “CBD Therapy”, são limitados.
Qual é a diferença entre o CBDV e o THCV?
Tanto o CBDV como o THCV têm uma cadeia lateral propilo, mas atuam de forma diferente nos recetores canabinoides. Em estudos experimentais, o THCV comportou-se como antagonista do recetor CB1 ou, em doses mais elevadas, como agonista, enquanto o CBDV tem baixa afinidade de ligação aos recetores CB1 e CB2.
Como são analisados os níveis de THC na canábis e no cânhamo?